Carta Polis
2009-09-01
Aécio não desperta denúncia
Pelo menos em um item relevante de comparação com o governo Lula o governador de Minas, Aécio

Neves, ( Foto Google ) sai na frente em matéria de lisura administrativa: está construindo um Centro Administrativo com 800 mil metros quadrados de área, diversos edifícios, todos de robusta arquitetura, obras de arte, viadutos e pontes.
Uma obra faraônica é caríssima. No entanto, nenhuma denúncia apareceu na imprensa mineira ou nacional sobre eventuais irregularidades ou superfaturamento na obra.
Dilma saiu-se tecnicamente bem.
Todos os olhares estavam voltados para ela. A ministra Dilma Rousseff fez um pronunciamento técnico, destituído de qualquer nota de emoção humana. Acadêmica, monocórdia, parecendo ter decorado todo o seu discurso, ela lembra muito o jargão do professor Delfim Netto, sem as licenças textuais do economista Mário Henrique Simonsen. Parabéns, Dilma, a candidata já está pronta para enfrentar o Serra, outro tipo monocórdio.
Pré- sal dormirá até 2014.
É simbólico que toda essa riqueza do pré-sal vá permanecer dormindo na camada subterrânea da plataforma continental, enquanto o País se debate em localizar fontes alternativas de recursos para o financiamento de sua infra-estrutura. Com o marco regulatório devendo ser aprovado pelo Congresso Nacional somente em 2010, e a entrada em operação prevista para 2014, o primeiro jorro de óleo bruto e gás comerciais não acontecerá antes que encerre o primeiro mandato do presidente que sucederá Lula.
Ainda a conversa de vizinho.
O ministro Joaquim Barbosa, como se sabe, é vizinho de apartamento do ministro Nelson Jobim, que influiu na sua nomeação para o STF pelo presidente Lula. Esse canal direto será precioso para o governo Lula na hora do julgamento do mensalão, cujo relator é o próprio Barbosa. É por isso – além de outros argumentos - que Jobim não sairá do Ministério da Defesa.
Frase do dia
“Levem essas amostras (do pré-sal) para o Senado e Câmara, e quando os debates estiverem acalorados dêem aos parlamentares para uma cheiradinha. E todos ficarão calmos”.
(Do presidente Lula, ontem, no lançamento do pré-sal, aos presidentes da Câmara e do Senado)
Congresso em calças curtas:
Sarney passou no teste da exposição pública.
Era a primeira vez que senador José Sarney se submetia ao teste de enfrentar uma platéia externa ao Senado, com 3 mil pessoas. Uma verdadeira pesquisa viva de opinião sobre os acontecimentos que se desenrolaram ultimamente no Senado. Do auditório, porém, não se ouviu um pio em discordância de sua presença ali.
Deva-se a dois fatores; 1 – todos eram convidados de Lula reunindo a elite das listas de VÍPs dos ministérios e estatais; 2 – a memória política do brasileiro é de fato curtíssima. Se Sarney tivesse falado na solenidade, como fez Michel Temer, poderia ate ter sido aplaudido. Mas não teve coragem. Na próxima talvez..
Editor: Leonardo Mota Neto.
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