13/02/2010 - 10:15
BRASÍLIA SABÁTICA XXV - A CIDADE FORA DOS EIXOS
Por: NOSEREVISTA: http://www.nosrevista.com.br
A poeta Alice Vieira Martins tem o antítodo da tristeza.
Por Menezes y Morais *
A poeta e contista Alice Vieira Martins, 81 anos, 3 filhos, três netos, dois bisnetos, está com um livro novo na praça: Passo a Passo (Thesaurus). É a terceira obra, que reúne poesia e contos.
Passo a Passo é ilustrado com fotografias do álbum de família da escritora. Alice considera seu trabalho literário como parte “da missão que me cabe”. E agradece a Ruth, Alice Fátima e Carla Luzia:
“Sem elas, seu amor, eu nada teria feito e as poesias teriam ficado esquecidas em cadernos e pedaços de papel”, confessa a Autora.
“A poesia me procura”
Alice gosta de fazer caminhadas. As idéias do poema fluem melhor
O primeiro livro de Alice Vieira Martins chama-se Visões de Sentimentos (2008). O segundo Eu, Meus Ais, Minha Vida, Minha Paz (poesia), foi publicado em 2007.
A temática da poesia é variada. Tem de tudo junto. “A poesia me procura, vem sem eu pedir, eu vou anotando. Não é o poeta quem faz a poesia, é a poesia quem faz o poeta”, assegura.
“Ela (a poesia) é que me faz. Ela vem pra mim. Se o senhor chegar e pedir: faz uma poesia pra mim, eu encontro dificuldade. Outra coisa: eu só gosto de poesia com rima. Faço sem rima, mas não gosto.”
Poesia em toda parte
A poesia começou a procurar (ela prefere o termo despertar) faz uns 45 anos mais ou menos. “Em todas as coisas que eu fazia, encontrava uma poesia, um pedacinho aqui, outro lado lá, mas eu não tinha tempo, escrevia em qualquer papel.”
A escritora anuncia o quarto livro para breve.
Depois ela foi se disciplinando. “Eu fui me organizando mais, prestando mais atenção à Poesia. Ela se manifesta através do canto de um passarinho, tudo me faz escrever uma poesia.”
E acrescentou: “Quando faço caminhadas, tenho muita inspiração. Eu gosto muito de falar com as pessoas, conhecer bem as pessoas pelos gestos, movimentos, se eu vejo uma pessoa triste gosto de conversar com ele.”
Contra a tristeza
Por quê? “Eu sempre conto essa história: certo dia vi uma pessoa muito séria, me olhando com a cara muito ruim no interior de uma loja. Fui conversar com ela, desviei o olhar e tive uma surpresa: era eu mesma refletida no espelho. Disso nasceu uma poesia.”
Alice gosta muito de sorrir quando relembra essa história. “Quando eu vejo uma pessoa com a cara fechada, procuro essa pessoa para conversar. Eu procuro fazer as pessoas sorrir. É a primeira coisa que eu faço.”
A poeta conta piadas para as pessoas tristes? Ela diz que sim. “Eu tenho meus arquivos sobre o riso. Conto piadas, faço careta, faço qualquer coisa para acabar com a tristeza de alguém. Não me afasto sem deixar a pessoa sorrindo.”
Alice nasceu em 1928 em Mato Grosso, hoje Mato do Sul. Está em Brasília há 32 anos. “Vim de São Paulo, meu marido, David Dutra Martins, faleceu em São. Paulo, Eu vim para Brasília para a casa de duas filhas”.
Alice agradece a família pela publicação dos poemas, que estavam engavetados.
Inéditos
Alice confessa que gosta “muito de ler poesia rimada,. Não gosto de poesia sem rima. No sentido de aprender coisas. Eu quero muito fazer sem rima, mas não consigo. Além de me procura, ela chega e me impõe uma forma.”
Quanto aos inéditos, revela: “Tenho dois livros no caminho. Poeta Meia Tigela, a sair (era para ser o primeiro, vai ser o quarto). Tinha muita coisa guardada dentro de mim”.
Ela recorda que a Poesia faz bem a saúde. “Vivia doente, vivia no médico, tomando remédio, fiz cirurgia desnecessária, depois o médico tentou fazer um trabalho comigo para eu me abrir e ele não conseguiu.”
Qual foi o trabalho? “Recorreu terapia através da escrita, custei um pouco começar escrever, depois escrevi, muito, muito mesmo e acabou o meu problema de saúde.”
Coisas melhores
Como? “Eu escrevia e queimava. Isso foi há mais de 40 anos. Aí começaram a vir as coisas melhores, poemas, contos melhores. Eu sou assim. Escrevo, escrevo, mas quando eu não gosto, dispenso.”
Algum conselho para as novas gerações? “Aconselho: escrevam o que estão sentindo. Pode até queimar depois, mas escrevam. A poesia abre o coração da gente. A poesia vem para o nosso próprio bem”.
* Menezes y Morais é jornalista, professor, escritor, historiador e editor da Nós – Fora dos Eixos.
Serviço
Passo a Passo (poesia, Thesaurus).
www.thesaurus.com.br
Fotos da capa: Alice Fátima Martins.
Concepção e programação visual: Carla Luiza de Abreu.
Contato com a Autora: ruthgloria10@gmail.com
Telefone: (61) 3346.6234.
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