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11/05/2008 - 13:10
EDITORIAL :UM ANO SEM LAÍS , Paulo Timm
Por: Paulo Timm - Diretor de ALEXANIA TV DIGITAL
Ha um ano, vétima de uma enfermidade inominavel que ainda teima em se alastrar em nosso meio, morria LAÍS ADERNE, um verdadeiro écone de nossa região e , particularmente, de Alexania e Olhos dÁgua. Ha um ano todos os meios culturais de Brasélia e sua região goiana de maior influência choravam o passamento e cantavm as glÓrias desta mulher que soube, como poucas, recuperar a importancia do cerrado, das mais belas tradiçes da terra de Anhangera, de sua gente , epopéia brasiliense. Como mineira, natural de Diamantina, Laés resgatou uma dévida dos construtores da Nova Capital com Goias. Foi o espérito goiano do mudancismo , um movimento que manteve acesa a chama da mudança da capital para o Planalto Central durante os anos 40 e 50, que motivou JK em sua histÓrica decisão de construir Brasélia. E foi a fulminante decisão do Governador Juca Ludovico, nos idos de 54- o paés ainda abalado pela morte de Vargas- que assegurou o controle estatal da terra goiana sobre a qual JK colocou a primeira pedra da cidade. E foi , ainda, a energia guerreira de um adventécio, Bernardo Sayão, em nome de Goias, que abriu os primeiros caminhos da Capital da Esperança. Mas os goianos não resistiram ao impacto da grande obra e seus mestres construtores. Acanhados, contemplaram em silêncio o erguimento da cidade, bafejada com os estranhos ares da modernidade reinante na Corte. E fez-se a glÓria de JK, Niemeyer e Lucio Costa sem que de Goias se soubesse um ponto. Faltava alguém que mostrasse histÓria que sobre essa vastidão, desde priscas eras, habitava um meio fésico, um meio humano e um meio cultural riquéssimo. O espaço sobre o qual ergueu-se o colosso não era um deserto como os metropolitanos cosmolitas acreditavam. Era um oceano profundo de tradiçes. Laés Aderne foi essa pessoa . Ela saiu de Brasélia, percorreu os caminhos de Goias, as estradas reais que desde os incas articulavam essa imensa hinterlandia americana e mostrou a todos a riqueza destas tradiçes. Nos seus ltimos anos de vida animava , com todo fervor, a idéia do Eco-Museu do Cerrado. E , ja no inécio dos anos 70 ajudava a comunidade de Olhos d Água, marcada pela ferida narcésica da perda de sua condição munécipe, a recompor-se em sua dignidade através da Feira do Troca. Laés fez muito mais do isso. Fez muito pela educação e pela cultura de Alexania e Olhos d Água. Fez tanto que hoje se justifica dar-lhe o nome a iniciativas que assinalam essa auto-consciência da cidade. É tempo de perpetuarmos o nome de Laés Aderne , por exemplo, no PÓlo Universitario, sem desdouro do nome de Cora Coralina, outro écone do Estado, mas que se dobraria, com a mesma naturalidade com que fazia doces e versos, imposição do nome de Laés em nosso meio. É tempo do nome de Laés inscrever-se nas Escolas , nas Praças , nas Ruas da cidade para que os jovens saibam fazer da vida dela um exemplo para si mesmos. E para que nossa gratidão com esta mulher se afirme, enfim , em gesto. Para tanto ficam conclamados a Administração Municipal e a Camara de Vereadores e todos aqueles que, sensibilizados, tomem esse Editorial como um verdadeiro MANIFESTO divulgando-o em seu meio. E , como uma pequena homenagem, o poema de seu filho saudoso:
Navio Presente
(Lais Aderne 1937-2007)
Hoje o mar levou
um navio cheio de presentes,
levou a menina
que navegava com os sonhos na ponta dos dentes
levou em varias caixas
pois em uma sÓ não cabia.
O mar recebeu sorrindo
em ondas de alegria
foi navegar pela Inglaterra,
passando pelo porto de João Pessoa,
levando na bagagem um sabia,
que ainda canta e voa
no meio do oceano.
Havia numa ilha chamada Brasélia
De la rumou sua quilha pra parar em Belém do Para
Diamantina enviava sua filha
que mesmo em terra sÓ sabia navegar
enquanto ela navega
quem fica em terra parcela a saudade pelos dias do resto da vida
içando velas e bandeiras brancas na hora de sua partida.
Seu filho, Pierre Aderne
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